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Macaquinhos no sótão


Relato de parto - Gael - parte 1

Pensei em inúmeras maneiras de começar este relato. Até porque, pra falar deste parto, eu preciso falar do nascimento da minha primeira filha. Mas o parto em si foi tão surreal/mágico/louco que merece destaque. Então, vou começar bem do começo, lá do outro parto, porque sem ele, este não teria sido como foi, mas tentarei ser breve nessa parte.

Minha primeira filha nasceu de uma cesárea desnecessária, indesejada e complicada. Nasceu mal, com apgar baixo e eu tb me senti muito mal, aérea, vazia. (O relato completo está aqui: http://macaquinhosnosotao.zip.net/arch2014-01-19_2014-01-25.html) Tudo que aconteceu acendeu várias dúvidas  dentro de mim: Por quê? Poderia ter sido diferente? Como? A partir dessas perguntas, comecei a buscar respostas e descobri um outro lado do nosso sistema obstétrico. Então, passei a ler, estudar, buscar informações que pudessem me ajudar a escrever uma história diferente para outro filho. Nessa busca, encontrei pessoas que me ajudaram a entender que eu havia sido vítima de um sistema cruel, mas que poderia, sim, fazer tudo diferente (lá no final, agradecerei a essas pessoas).  Ao longo desses 3 anos entre uma gravidez e outra, procurei outra médica pra me acompanhar, que fosse respeitar o funcionamento do meu corpo e o tempo do meu filho. Em novembro de 2014, decidimos engravidar e conseguimos "de primeira". Nosso pimpolho estava a caminho!

Com 38 semanas e 5 dias, descobri que o meu plano de saúde não era mais aceito na maternidade que minha médica trabalha. Como ela só atende parto normal, não tem agenda e concentra tudo em um só hospital, pra poder atender suas parturientes. Nem preciso falar no desespero que bateu. Enfim, conversamos e tomamos algumas decisões que permitiriam que ela me acompanhasse, se não tivesse outra mulher em TP. Nesse caso, ela mandaria uma colega tb humanizada pra me assistir.

Comecei a ter contrações com frequência ainda com 34 semanas, tanto as contrações de treinamento quanto  aquelas doloridas, já avisando que em breve algo aconteceria. Maitê nasceu de 37 semanas e 5 dias, então eu achava que não passaria muito disso nessa segunda gravidez. Mas chegamos às 38 semanas, às 39 e finalmente, às 40 semanas de gestação. Sentia muita dor na pelve, ela estalava ao me movimentar na cama, tudo indicando que o corpo vinha se preparando para o grande evento. Toda noite, eu sentia bastante contrações fortes, mas não me dava ao trabalho de contar intervalos ou duração. Simplesmente, ia dormir, pois sabia que se fosse trabalho de parto de verdade, as contrações não me deixariam apagar. E dormia lindamente a noite toda. Até que, na noite do dia 25/08, comecei a ter as contrações, como de costume, fui dormir e acordei em torno de 3h da madrugada com dor. Tentei voltar a dormir, até cochilava entre as contrações, mas não consegui mais dormir de verdade. Os intervalos eram longos e as contrações, não tão fortes. Às 6h, mandei mensagem pra médica e às 8h avisei a doula. Passei a manhã bem, conversando e bem ativa entre as contrações. Qdo elas estavam vindo a cada 8 minutos, decidi ir pro chuveiro. Fiquei lá cerca de uma hora, deixando a água quente correr pelo meu corpo e isso acabou me relaxando tanto, que o intervalo entre as contrações subiu pra 15 minutos, dando uma desacelerada no TP.
A doula, então, foi pra casa da mãe, que era bem perto da minha casa e voltaria qdo pedíssemos, afinal, era claro que eu ainda estava na fase latente do trabalho de parto. Avisei tb a Karine, minha amiga/irmã e fotógrafa, que registraria nosso momento. 



Escrito por Bia às 18h36
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Relato de parto - Gael - parte 2

Franklin precisou ir ao Rio buscar sua carteira, por isso, pedimos à minha mãe que viesse ficar comigo. Karine chegou na hora que Franklin estava saindo, em torno de 14h. Nessa hora, as contrações ainda vinham com intervalos irregulares, mas girando em torno de 10 minutos. Fiquei deitada, assistindo TV, conversando com a Karine e com minha mãe. Aos poucos, as contrações foram aumentando de intensidade, já não conseguia não vocalizar (ou gritar de dor, chame como quiser, hahaha), mas ainda estava consciente. Aos poucos, essa consciência foi diminuindo e eu me entreguei à partolândia. A dor já me impedia de responder perguntas e o intervalo diminuía rapidamente. Franklin chegou às 15h e já me encontrou em quatro apoios sobre a cama, abraçada com a bola de pilates, vocalizando e rebolando a cada contração (alivia muito a dor!!). Ele ligou pra doula, que ainda levou uns 20 minutos pra chegar. Enquanto isso, ele fazia massagem na minha lombar, tentava usar o rebozo e entrava em contato com meu pai, que vinha de casa. Muito rapidamente, as contrações passaram a vir em intervalos de 3 minutos e muito intensas. A doula fez bastante massagem com óleo, o que ajudava a aliviar a dor tb. A partir disso, as coisas aconteceram muito rapidamente e eu não tenho noção de horário exata, porque, convenhamos, estava completamente entregue ao momento, ao chamado do meu corpo.

Decidi voltar ao chuveiro e nem sei qto tempo fiquei ali. A dor era tanta que eu buscava algo pra me agarrar, na tentativa de aliviar, mas nada funcionava, já não tinha posição que ajudasse. Saí do chuveiro, completamente entregue e sem pudor algum. Meu pai já tinha chegado e aguardava tranquilamente no sofá, enquanto minha mãe, tensa, reclamava que eu já deveria ter ido pro hospital. Qdo mencionavam isso, eu juntava forças pra dizer que não iria sem a médica, pq não queria cair nas mãos de plantonistas. Em algum momento, a médica avisou que não poderia nos encontrar, pois estava envolvida em outro parto (eu não ia mais poder ir pra maternidade onde ela estava por causa do plano de saúde, lembram?) e falou pra acionarmos a backup. Por uma falha de comunicação, não vimos a mensagem dela no meu celular. Aconteceu tudo muito rápido também, de nada adiantaria falar com ela, só não sabíamos disso ainda.

 

Qdo saí do chuveiro, fui para o meu quarto, ajoelhei ao lado da minha cama e continuei sendo massageada e cuidada. Até que lembrei que a banqueta poderia ser uma boa ideia. Mas em casa, sem banqueta, a opção seguinte era o vaso sanitário. Pedi pra ir pra lá, fui levada e realmente, era o lugar mais confortável da casa naquele momento. Ali, comecei a fraquejar e pedir analgesia. Na verdade, o que falei foi "liga pro menino", sendo que menino era o anestesista, hahaha, pra que ele nos encontrasse no hospital. Karine deixou a câmera de lado e veio me dar apoio, massageou minhas pernas (nada como alguém com experiência - 3 partos normais, sendo 2 sem analgesia) e aquilo aliviou bastante a dor. Ali, falei com ela: "Se isso aqui é o começo, eu não vou aguentar até o final.", pq a dor já era insuportável. Alguns minutos depois de falar isso, senti a coisa mais fantástica que vivi na vida: o primeiro puxo involuntário, uma vontade de fazer força incontrolável, na verdade, eu mesma sequer fazia força, o corpo trabalhava sozinho! Nessa hora, todo mundo se levantou pra irmos pro hospital, afinal, era o sinal de que eu estava com 10cm de dilatação e o período expulsivo estava começando. Gael estava a caminho! Só não sabíamos que o caminho era tão curto... 



Escrito por Bia às 18h36
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Relato de parto - Gael - parte 3

Franklin começou a me puxar, literalmente, pq eu não queria mais ir pra lugar nenhum e mal conseguia tirar os pés do chão para andar. Ele conseguiu me tirar do banheiro, enquanto colocava um vestido em mim, mas qdo eu cheguei na sala, coloquei a mão dentro do canal de parto e senti algo fofinho: era a bolsa saindo. Segundos depois, veio o segundo puxo involuntário e ela estourou, mas saiu pouco líquido, pq a cabeça do Gael encaixou e bloqueou a saída dele. Continuei sendo rebocada pela sala, enquanto todos pegavam bolsas e se preparavam pra sair. Qdo estava perto da porta, senti mais um puxo e a cabeça do Gael saindo, coisa que anunciei gritando. Nessa hora, a doula virou pro meu pai (que é obstetra) e pediu "O senhor pode dar uma olhada?". Meu pai veio e não dá pra dizer que ele fez um toque, pq ele já encostou na cabeça do Gael. Ele, então, falou: "Vai nascer aqui, voltem pro quarto." Fui andando com dificuldade, até pq meu pai me acompanhou já aparando o Gael, por precaução, caso eu tivesse outro puxo no caminho. Cheguei no meu quarto, escorei na cama com os braços esticados e veio o último puxo, que fez com que Gael saísse de uma vez só, cabeça e corpo sem intervalo, sendo aparado pelo avô, o que impediu que ele caísse no chão (não sei se outra pessoa teria a frieza e a experiência que ele teve pra segurar o Gael e, como eu estava em pé, a queda poderia ter sido fatal). Junto com ele, saiu muito líquido amniótico e sangue. Meu pai, na mesma hora, passou o Gael por baixo do meu vestido e falou "Segura seu filho, filha." Peguei o Gael, aconcheguei no meu peito, virei pra encostar na cama e admirar meu pequeno foguete. Meu pai conversou com a médica pelo telefone e pediu pra cortar o cordão. Ela disse que não precisava, mas ele insistiu e ela autorizou. Esperamos o cordão parar de pulsar e ficar bem sequinho. Como não tínhamos nenhum material cirúrgico, meu pai amarrou o cordão com fio dental e cortou com a tesoura da casa, limpa com álcool. Passado o susto, decidimos ir para o hospital, pq eu ainda estava sangrando um pouco, resultado da laceração que tive, pela velocidade com que Gael passou. A placenta tb não havia saído ainda.

 

No total, a fase ativa do meu parto durou em torno de 2h. Algumas mulheres levam muito mais tempo nessa fase (uma amiga ficou 23h em TP ativo, pra vcs terem uma ideia).

Descemos todos, Karine foi dirigindo, Franklin no carona, eu e a doula no banco de trás. Minha mãe, em estado de choque, ficou em casa limpando tudo e esperando a hora de ir buscar Maitê na escola. O início da experiência no hospital não foi boa, por vários motivos. Primeiro, tiveram dificuldade de acreditar que o parto domiciliar aconteceu por acidente, acho que só acreditaram pq meu pai estava lá pra confirmar. Não sei como seria o tratamento, caso fosse realmente um PD com necessidade de transferência... Fui direto ser examinada e queriam tracionar a placenta, coisa que não autorizei. Pediram tb pra eu deitar, o que fiz depois de muita insistência. A médica pedia que eu fizesse força pra expulsar a placenta e eu respondia que não seria necessário, que em breve meu corpo faria o serviço. Dito e feito, mais um puxo involuntário e a placenta saiu. A médica pôde ver, então, a extensão da laceração e fui para o centro cirúrgico pra ser suturada. Demorou muito pra começar, pq não conseguiam fazer minha internação, por um problema no sistema. Enquanto isso, Franklin estava no berçário com Gael sendo examinado e recusando todos os procedimentos protocolares que queriam fazer: colírio, vacinas, incubadora, etc. Queriam que ele esperasse do lado de fora e visse pelo vidro, mas ele, pai leão, não permitiu. Apesar de termos esquecido de levar o plano de parto conosco, Franklin sabia bem o que queríamos pro Gael. Consegui que trouxessem o Gael pra mim ainda durante a minha cirurgia, graças à pediatra que nós queríamos e "por acaso" chegou ao hospital pra fazer salas de parto. Ainda levei duas horas pra conseguir chegar ao quarto, por falta de maqueiro. Apesar das dificuldades no início da estadia no hospital, as coisas se organizaram e fomos bem tratados nos outros dias. 



Escrito por Bia às 18h35
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Relato de parto - Gael - parte 4

Gael apresentou uma alteração nos exames de sangue (uma alteração esperada pra 24h de vida), então o hospital preferiu esperar pra fazer um exame com 48h, só pra confirmar que não era uma infecção, já que o cordão havia sido cortado em casa. Isso atrasou a nossa alta em 1 dia, mas valeu pra sair de lá com a certeza de que estava tudo bem com ele. 

Posso afirmar que foi a experiência mais louca, completa, renovadora e redentora da minha vida. Tive meu VBAC relâmpago, consegui lutar contra o sistema e trazer meu filho ao mundo da maneira mais natural possível. Nada que pareça negativo (a dor, os medos, as dificuldades no hospital) consegue tirar o brilho e a alegria de tê-lo recebido assim. Realizei o sonho de parir, me sinto a mulher mais forte do mundo! Agora, é tentar não ceder à vontade de ter um terceiro filho num PD planejado, hahaha. 


Olhando pra situação toda, algum desavisado pode achar que deu tudo errado, afinal, nada saiu de acordo com os nossos planos. Mas essa situação foi perfeita pra comprovar, mais uma vez, que Deus está no controle de tudo, que Ele sabe o que é melhor pra nós e que as suas mãos estão sempre estendidas em nossa direção. Nossa família é muito abençoada e vivemos debaixo da Sua graça. 


Agradecimentos: 


- A Deus, que esteve o tempo inteiro cuidando de cada detalhe e tinha planos ainda mais fantásticos que os meus. 

- Ao meu marido Franklin, que me apoiou desde o início dessa jornada em busca de um parto natural (chegou a sugerir e apoiar o PD, eu que não quis, hahaha) e esteve ao meu lado tb durante o TP e cuidando do Gael no berçário. Presente de Deus na minha vida!

- Ao meu pai, Daniel, que pela segunda vez teve um papel decisivo na vida de um filho meu, agindo no momento certo pra garantir a saúde e a segurança dele. 

- À Bernadette Bousada e à Bia Muniz, médica e doula, respectivamente, que me acompanharam ao longo da gestação, me apoiando e ajudando a construir meu empoderamento, o que me permitiu viver essa experiência me sentindo capaz e segura. 

- À Karine Marques, amiga, irmã, fotógrafa, que não só registrou tudo, como me deu apoio no momento mais difícil do TP, além de cuidar de toda a papelada do hospital. 

- À Susana Moscardini, colega de faculdade, que reencontrei pelo facebook e foi a primeira pessoa do movimento de humanização do parto que ouviu minha história, me acolheu, me deu acesso à informação e ajudou na caminhada. 

- À minha mãe, que cuidou da Maitê todo o tempo, pra que eu pudesse me dedicar ao Gael nos primeiros dias, sabendo que minha filhota estava sendo cuidada e amada. 

- Ao meu grupo de amigas, que começou virtual, mas hoje é mais do que real. Elas caminharam comigo nesse empoderamento, ajudando com suas histórias, sua torcida e muito amor! Obrigada, meninas!!! (Vcs sabem quem são...)


Escrito por Bia às 18h35
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