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Balanço de 2013

2013 foi um ano como nenhum outro na minha vida. Vc deve até estar estranhando, afinal, minha filhota nasceu em 2012. Mas foi em 2013 que tudo aconteceu: uma mudança tão drástica e tão definitiva, que eu precisei de tempo pra conseguir organizar minha cabeça e elaborar  essas transformações dentro de mim. E todas essas mudanças estão relacionadas a uma só coisa: eu saí da Matrix.

Lembram do filme? Nele, as pessoas viviam numa situação ilusória, completamente alheias à realidade, como se estivessem em um coma. Aí, algumas eram desligadas da Matrix e a elas era apresentada a verdadeira realidade. Depois, era oferecida a elas uma escolha: tomar a pílula azul e voltar pra Matrix, sem qualquer lembrança daquele momento ou tomar a pílula vermelha e descobrir que aquilo era apenas o começo, a ponta do iceberg.  Meus caros amigos, o ano de 2013 me ofereceu tal escolha e eu tomei a pílula vermelha.

 

O primeiro caso foi em relação à alimentação da minha filha. Descobri que existe vida sem Nestlé e Danone, aliás, duas empresas que fazemos questão de boicotar aqui em casa. Minha filha não come nada do que as pessoas acreditam que uma criança precisa comer pra ser feliz e, acreditem, ela é muito feliz. Sem biscoito de maisena, sem danoninho, sem chocolate, sem papinha industrializada, sem açúcar. Ela é feliz comendo frutas, comidinha preparada fresquinha e biscoito de arroz orgânico. E não fica aguando qdo vê alguém comendo qq coisa. Mas esse texto tem outro assunto maior, que exige mais atenção, pq foi a fonte da maior parte da minha transformação: o nascimento da Maitê e tudo que aconteceu nele e por causa dele. Eu poderia escrever um novo relato de parto, pq o primeiro, escrito logo depois que a Maitê nasceu, foi escrito por uma mãe ingênua, que ainda não tinha compreendido a seriedade dos fatos que ocorreram.

Descobri que roubaram meu parto, que fui desrespeitada, que sofri violência obstétrica e tudo isso é doloroso demais descobrir.Tão doloroso que existem pessoas que preferem não se descobrir enganadas. Preferem acreditar no que lhes foi dito e carregam aquilo como verdade. Descobri que minha filha possivelmente sofre de alergia alimentar pelo que foi feito com ela no berçário. Descobri que existe um mundo, fora da matrix, onde os bebês nascem amparados por seus pais, enquanto a equipe médica apenas assiste o momento mágico (esse sim, realmente mágico) onde pai, mãe e bebem se conhecem e se reconhecem.  Pausa para voltar ao meu não parto.

Quando cheguei ao hospital e foi constatada a minha "falta de dilatação", a médica me disse: "Bia, vc tem aí pelo menos umas 10 a 12 horas de trabalho de parto, vai demorar muito, vamos pra cesárea". Ali, começou uma sequência de fatos que eu jamais me esquecerei e não quero nunca viver de novo. Primeiro, ninguém me perguntou se EU achava que isso era muito tempo, se EU estava disposta a esperar, afinal,  EU deveria ser a pessoa a responder isso, certo? Mas não pude responder, pq em momento algum a pergunta foi feita.  

Dali, partimos pra preparação para a cesárea. Me lembro de ter me sentido muito sozinha em vários momentos. Meu pai estava comigo, mas precisou sair do Centro Cirúrgico pra pegar a roupa pro meu marido, que só poderia entrar depois da anestesia. Me lembro de estar deitada na mesa, de lado, nua, numa sala fria, sentindo as contrações que vinham num ritmo forte, completamente sozinha. Quero dizer, tinha gente na sala, enfermeiras, instrumentadoras, mas nenhuma me ofereceu sequer um olhar, fosse compaixão ou desprezo. Era como se eu não existisse ali, apesar de, teoricamente, ser o centro de tudo. Não consegui ficar em silêncio, a cada contração, eu falava ai ai ai ai ai... (meu instinto mandando vocalizar, mas eu tinha vergonha de não estar conseguindo ficar quieta).  Qdo vieram me dar a anestesia, meu pai veio e ficou comigo. Mas pense bem: no momento do nascimento de um filho, solidão me parece um sentimento muito triste. Eu deveria estar acompanhada, amparada, mas estava só.

Durante a cesárea, meu marido ficou ao meu lado, até a médica avisar que ia nascer e chamá-lo pra assistir, do outro lado do pano. Mais uma vez, fiquei sozinha. Dessa vez, ouvindo que algo estava errado. Minha filha estava muito alta e a médica estava tendo dificuldades para segurá-la e tirá-la de dentro de mim. Mais uma prova de que, apesar de eu ter começado a sentir contrações, ainda não estava na hora dela nascer e sair de dentro de mim.  Maitê rodou e complicou ainda mais a situação. Quando a médica conseguiu posicioná-la para sair, o anestesista subiu em mim pra empurrar a minha filha pra fora. Não, isso não deveria ser normal. Mas acontece muito mais do que deveria.

Por causa da complicação, ela nasceu com um apgar muito baixo, que o pediatra nem anotou, mas meu pai diz que foi algo em torno de 5 (bebês que nascem bem, tem apgar 9 ou 10). Maitê sofreu privação de oxigênio, mas felizmente, foi por pouco tempo, não havendo qualquer sequela.  Ali, começou a cair a ideia de que a cesárea é uma cirurgia sem risco e salvadora. Ela quase matou minha filha, um bebê saudável, que tinha tudo pra nascer bem. Se tivéssemos esperado, deixado o meu corpo trabalhar, minha filha não teria passado por nada disso.  

Quando ela saiu e não respondeu a qualquer  estímulo, foi levada pra longe e eu, mais uma vez, sozinha, sem saber o que estava acontecendo, pois só havia silêncio. Quando se ouviu o chorinho dela de longe, puder sentir a tensão de todos na sala diminuir. Quando a trouxeram pra mim, foi muito estranho. Aquele amor intenso, aquela emoção única, não senti. Olhei pra minha filha e não a reconheci. Me faltava aquela enxurrada de ocitocina que o parto normal traz consigo. Meus olhos se encheram de lágrimas, não pela emoção de vê-la pela primeira vez, mas pq me sentia errada, aérea, triste, estranha. Como eu podia olhar pra minha filha e não sentir a alegria da qual todos falam? Me senti mal. Choro hoje, enquanto escrevo, as mesmas lágrimas, revivendo aquele momento, lamentando por ele.

Ao fim da cirurgia, no caminho para o quarto, minha família, um casal de amigos, todos emocionados e eu, ainda estranha. Me mostraram minha filha na incubadora, peladinha, com os olhinhos abertos, olhando tudo, um olhar aflito e, mais uma vez, senti algo que não combinava com o momento: me senti vazia. Uma sensação de que algo estava muito errado. Minha filha estava longe de mim, hoje eu sei que era isso que estava errado. Era pra ser o momento em que ela estaria no meu colo, sentindo meu cheiro e eu sentindo o dela, nos conhecendo, nos reconhecendo. Mas ela estava ali, na TV.

Além de tudo isso, que na minha opinião, está longe de ser pouco, ainda fui maltratada pelas enfermeiras que vinham "cuidar" de mim no pós-parto. Não adiantou ser filha de um médico conhecido no hospital, nem assim fui respeitada. Precisei até bater boca com a enfermeira pra ter um pedido meu atendido. Que mulher, recém operada, merece um tratamento desses?

Enfim, 2013 foi o ano que vi e revi essas cenas na minha cabeça, tentando entender os fatos, os sentimentos e o que eu fiz de errado. Hoje eu sei o que fiz: confiei num sistema obstétrico doente, não me informei, acreditei que para ter um parto normal, bastava querer. Mas essa experiência trouxe a grande transformação com ela. Me tornei uma mulher mais forte, que corre atrás de conhecimento e informação, que não abaixa a cabeça pra médico nenhum, que sabe o que quer, que sabe suas possibilidades e seus limites e está disposta a transpor cada um deles. Uma mãe leoa, capaz de brigar com o mundo inteiro pelo bem estar da sua filha, que não se importa com a opinião alheia, carregada de velhos paradigmas. Aliás, uma pessoa que AMA quebrar paradigmas! E mais, uma pessoa que busca não repetir os seus próprios erros e nunca mais vai permitir que um filho seu passe pelo que a primeira passou.

2013 não foi o melhor ou o pior ano da minha vida, mas foi o mais marcante, com certeza. É por isso que, só agora, no final de janeiro de 2014, é que consegui me despedir dele. Tchau, 2013, obrigada por tudo. 



Escrito por Bia às 00h13
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Cof, cof

Caramba... isso aqui tá empoeirado mesmo. Não tinha me dado conta de que fazia quase 1 ano que não dava as caras pro aqui. Pois bem, vim pq a causa é nobre. Mas vou ter que avisar geral no Facebook, senão, ninguém aparece... hahahaha



Escrito por Bia às 00h08
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